Entenda a Erliquiose e a Babesiose
Se você tem um cachorro, com certeza já ouviu o alerta de algum veterinário ou de outro tutor sobre a famosa “doença do carrapato”. Mas você sabia que, por trás desse nome, existem duas doenças diferentes que podem atacar o seu amigo ao mesmo tempo?
Estamos falando da Erliquiose e da Babesiose. Ambas são sérias, silenciosas e transmitidas pela picada do carrapato marrom do cão. Hoje, vamos desmistificar esse assunto para que você saiba como identificar os sinais e, acima de tudo, como proteger o seu peludo.
1. O que são a Erliquiose e a Babesiose?
Embora transmitidas pelo mesmo vilão — o carrapato —, elas são causadas por micro-organismos diferentes e atacam o corpo de formas distintas:
- Erliquiose: É causada por uma bactéria (Ehrlichia canis) que destrói principalmente os glóbulos brancos (células de defesa) e as plaquetas (responsáveis pela coagulação do sangue).
- Babesiose: É causada por um protozoário (Babesia canis) que invade e destrói diretamente os glóbulos vermelhos (hemácias), causando uma anemia grave.
Fato importante: Um único carrapato pode estar carregando a bactéria e o protozoário ao mesmo tempo. Quando isso acontece, o cão desenvolve uma infecção dupla, o que exige um cuidado ainda mais rápido.
2. Como o cão adquire a doença?
A transmissão é direta: o carrapato infectado pica o cachorro para se alimentar de sangue e, através da saliva, transmite a bactéria ou o protozoário para a corrente sanguínea do pet.
Diferente do que muitos pensam, o cão não precisa estar “infestado” de carrapatos para adoecer. Apenas uma picada de um carrapato contaminado é suficiente.
3. Conheça os Principais Transmissores da Doença do Carrapato

Para proteger o seu cachorro de forma eficiente, o primeiro passo é saber identificar o inimigo. Embora existam dezenas de espécies de parasitas por aí, estes dois que você vê na imagem acima são os grandes responsáveis por transmitir a erliquiose e a babesiose (as famosas “doenças do carrapato”).
Eles não são iguais, não frequentam os mesmos lugares e possuem características físicas bem distintas. Vamos conhecê-los em detalhes:
1. Carrapato-Vermelho-do-Cão (Rhipicephalus sanguineus)
Este é o verdadeiro vilão dos ambientes urbanos. Se você mora em casa ou apartamento na cidade e o seu cachorro pegou carrapato, há 99% de chance de ser esta espécie.
- Aparência e Cor: Quando está “com fome” (jejum), ele possui uma coloração marrom-avermelhada escura e formato achatado. Quando a fêmea se alimenta e fica cheia de sangue (ingurgitada), ela muda drasticamente: ganha um formato arredondado, fica bem maior e sua cor passa a ser um cinza-azulada ou esverdeada.
- Comportamento: Ele odeia umidade e adora o ambiente doméstico. Tem o hábito de subir em superfícies verticais, o que significa que ele escala paredes, muros e se esconde perfeitamente em frestas de pisos, batentes de portas, canis e até atrás de quadros para colocar seus milhares de ovos.
- O perigo: É o principal vetor da Erliquiose (doença bacteriana que ataca os glóbulos brancos) e da Babesiose (protozoário que destrói os glóbulos vermelhos).
2. Carrapato-Estrela (Amblyomma sculptum)
Este parasita é muito mais comum em áreas rurais, matas, parques ecológicos e regiões próximas a rios. Se você costuma levar seu cão para passear em sítios ou locais com vegetação alta, é com ele que você deve se preocupar.
- Aparência e Cor: É um carrapato maior que o urbano. Ele recebe esse nome popular porque a fêmea adulta possui uma mancha amarelada ou esbranquiçada em formato de “estrela” ou “ponto” no dorso (costas), contrastando com o restante do corpo que é marrom-escuro. Os machos possuem desenhos geométricos desenhados na carcaça.
- Comportamento: Diferente do carrapato urbano, o Carrapato-Estrela não escala as paredes da sua casa. Ele fica na vegetação (gramados, folhas e arbustos) esperando um hospedeiro passar para pegar “carona”. Seus hospedeiros favoritos na natureza são as capivaras, antas e cavalos.
- O perigo: Embora nos cães ele também possa transmitir os agentes da doença do carrapato, o grande alerta aqui é para os humanos: o Carrapato-Estrela é o principal transmissor da Febre Maculosa, uma doença grave e que exige atendimento médico imediato.
💡 Dica de Ouro para o Tutor: Lembre-se de que o carrapato não nasce com a doença. Ele funciona como uma “seringa viva”. Se ele picar um animal contaminado, ele guarda o parasita em seu organismo e o injeta no próximo cachorro saudável através da saliva. Por isso, manter o uso de comprimidos, coleiras ou pipetas antipulgas e carrapatos em dia é a única forma de cortar esse ciclo!
4. Quais são os sintomas? (Fique de olho!)
A doença do carrapato pode ser muito traiçoeira porque os sintomas iniciais parecem com os de qualquer mal-estar bobo. Fique muito atento se notar:
- Febre e perda de apetite;
- Tristeza profunda e desânimo (o pet não quer brincar);
- Palidez nas gengivas e olhos (ficam esbranquiçados ou amarelados devido à anemia);
- Sangramentos espontâneos (pelo nariz, na urina ou pequenas manchas roxas na pele/barriga);
- Perda de peso progressiva.
Se a doença não for tratada no início, ela pode se tornar crônica, afetando os rins, o fígado e o sistema nervoso do animal.
5. Tem cura? Como funciona o tratamento?
Sim, tem cura! Mas o sucesso do tratamento depende 100% da rapidez do diagnóstico. O veterinário fará exames de sangue (como o hemograma e testes sorológicos/PCR) para confirmar qual das duas (ou se ambas) está agindo.
O tratamento geralmente envolve:
- Antibióticos específicos para combater a Erliquiose.
- Antiprotozoários para eliminar a Babesia.
- Suplementos e protetores: Vitaminas e medicamentos para ajudar o corpo a produzir novas células sanguíneas e proteger o fígado.
- Transfusão de sangue: Em casos muito graves, onde a anemia ou a falta de plaquetas coloca a vida do cão em risco imediato.
6. Prevenção: O segredo está no ambiente e no pet
Como não existe vacina 100% eficaz para a doença do carrapato no Brasil, a única forma de prevenção é evitar que o carrapato suba no seu cachorro.
- Proteção Regular: Use rigorosamente coleiras antiparasitárias, pipetas de nuca ou comprimidos mastigáveis contra pulgas e carrapatos, seguindo o prazo de validade de cada produto.
- Cuidado com o Ambiente: Os carrapatos adoram se esconder em frestas de muros, batentes de portas, estofados e gramados. Manter o quintal limpo e dedetizado é essencial, já que 95% da população de carrapatos fica no ambiente, e não no animal.
- Inspeção pós-passeio: Criar o hábito de revisar o corpo do seu cão (especialmente entre os dedinhos, atrás das orelhas e no pescoço) depois de passeios em parques ou praças ajuda a flagrar o invasor antes que ele transmita a doença.
Se você notar qualquer mudança no comportamento do seu amigo, não espere o quadro piorar. Leve-o ao veterinário! A saúde deles depende do nosso olhar atento.
🛑 Alerta Prático: Encontrou um carrapato no cão? Saiba como tirar do jeito certo!
Se durante a inspeção você encontrar um carrapato fixado na pele do seu cão, mantenha a calma e nunca o arranque com os dedos com toda a força, nem use métodos caseiros perigosos (como passar álcool, azeite ou queimar com fósforo). Isso faz o carrapato sofrer um estresse e “vomitar” as bactérias e protozoários direto na corrente sanguínea do pet.
Faça assim:
- Use uma pinça: Com uma pinça limpa (ou um acessório próprio para remover carrapatos), pegue o parasita bem rente à pele do cachorro, o mais próximo possível da boca dele.
- Puxe com firmeza e suavidade: Puxe para cima em um movimento reto, firme e constante. Não gire e não esmague o corpo do carrapato, para evitar que fluidos contaminados entrem em contato com a pele do pet.
- Higienize o local: Depois de retirar, limpe bem a região da picada com antisséptico ou água e sabão neutro. Lave muito bem as suas mãos também.
- Descarte correto: Não jogue o carrapato vivo no lixo ou no vaso sanitário. Coloque-o em um potinho com álcool para garantir que ele morra.
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